Um resultado fora do intervalo de referência pode aparecer por diferentes motivos. Algumas alterações são transitórias. Outras permanecem em exames sucessivos, atingem mais de uma célula do sangue ou aparecem acompanhadas de sintomas que precisam ser investigados.
A avaliação hematológica pode ser considerada diante de anemia persistente, alterações dos leucócitos, plaquetas baixas ou elevadas, pancitopenia, células imaturas no sangue, blastos ou resultados que ainda não possuem uma explicação definida.
Prof. Dr. Eduardo Magalhães Rego
Médico especialista em Hematologia e Hemoterapia
CRM-SP 63.577 · RQE 57.865
Presidente da ABHH Professor Titular de Hematologia da Faculdade de Medicina da USP Coordenador dos Serviços de Hematologia da Rede D'Or
O exame reúne informações sobre diferentes células do sangue. O hemograma não corresponde a um único número. Ele reúne medidas relacionadas aos glóbulos vermelhos, aos leucócitos e às plaquetas.
A série vermelha inclui informações como:
Esses dados ajudam a identificar e caracterizar situações como anemia, aumento da concentração de glóbulos vermelhos e alterações no tamanho ou na composição das células.
O leucograma mostra a quantidade total de leucócitos e a distribuição de diferentes tipos de células de defesa, como:
Ele também pode trazer alertas sobre células imaturas ou alterações que precisam ser confirmadas pela análise do sangue periférico.
A contagem de plaquetas ajuda a avaliar se elas estão reduzidas, aumentadas ou dentro do intervalo de referência.
As plaquetas participam da formação do coágulo e da contenção de sangramentos, mas o número isolado não descreve todo o funcionamento da coagulação.
Os valores de referência podem variar conforme:
A comparação deve considerar o intervalo apresentado no próprio exame e o contexto do paciente.
O hemograma mede diferentes componentes do sangue, incluindo glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plaquetas, hemoglobina e hematócrito. Alterações nesses componentes podem aparecer em condições muito diferentes, por isso o exame não deve ser interpretado isoladamente.
Uma alteração pode ser transitória, persistente ou parte de um conjunto maior. Um resultado fora da referência não confirma sozinho uma doença hematológica.
Em algumas situações, a alteração é discreta, ocorre durante uma infecção ou aparece sem outros sinais relevantes. O médico pode considerar a repetição do exame depois de determinado período.
A repetição ajuda a verificar se o resultado:
A decisão sobre quando repetir depende da alteração encontrada e da condição do paciente.
Uma avaliação mais rápida pode ser necessária quando existem:
Persistência, combinação de alterações e ausência de causa clara aumentam a necessidade de investigação.
A consulta com hematologista pode fazer sentido quando há:
Alterações leves e isoladas podem ser inicialmente avaliadas pelo clínico, médico de família, ginecologista, gastroenterologista ou outro profissional que já acompanhe o paciente.
O encaminhamento ao hematologista pode ocorrer quando o resultado persiste, não possui causa definida, exige investigação específica ou sugere uma alteração da medula óssea.
Anemia é um achado que precisa ter sua causa investigada. A anemia ocorre quando a quantidade de hemoglobina está abaixo do esperado para a situação do paciente.
A hemoglobina é a proteína dos glóbulos vermelhos responsável pelo transporte de oxigênio.
Entre os sintomas possíveis estão:
Algumas pessoas apresentam anemia sem sintomas evidentes, especialmente quando a alteração se desenvolve gradualmente.
Não. A anemia pode estar relacionada a:
A identificação do tipo de anemia depende da história, do hemograma, dos índices das hemácias, dos exames de ferro e de outros testes selecionados conforme o caso.
O número total precisa ser analisado junto ao tipo de célula alterada. Os leucócitos participam da defesa do organismo. Uma alteração no número total pode ter significados diferentes conforme a distribuição entre neutrófilos, linfócitos, monócitos, eosinófilos e basófilos.
O aumento pode aparecer em situações como:
A intensidade, a persistência, o tipo de célula aumentado e a presença de células imaturas ajudam a orientar a investigação.
A redução pode ocorrer por:
É importante verificar qual população está reduzida.
Neutropenia é a redução dos neutrófilos.
O risco de infecção depende da intensidade da redução, da duração, da presença de febre e da condição clínica.
Uma pessoa com neutropenia e febre pode precisar de avaliação médica imediata, especialmente quando já possui uma doença hematológica ou está em tratamento.
Leucócitos altos significam leucemia?
Não. Infecções e outras condições comuns podem aumentar os leucócitos. A suspeita de uma doença hematológica depende da persistência, do padrão das células, da presença de blastos ou outras alterações e da avaliação clínica.
Os leucócitos podem estar elevados ou reduzidos em infecções, doenças do sistema imunológico e doenças hematológicas. O resultado precisa ser interpretado junto ao diferencial de leucócitos e ao restante do hemograma.
A contagem das plaquetas pode mudar por diferentes mecanismos.
A redução das plaquetas é chamada de trombocitopenia.
Ela pode estar relacionada a:
Entre as manifestações possíveis estão:
O risco não depende apenas do número. Sintomas, velocidade da queda, uso de anticoagulantes e condição clínica também influenciam a avaliação.
O aumento das plaquetas é chamado de trombocitose.
Ele pode ocorrer de forma reativa, por exemplo, após:
Quando o aumento persiste sem causa clara, pode ser necessário investigar doenças da medula óssea e alterações moleculares.
Uma contagem alterada deve ser confirmada?
Em alguns casos, o resultado pode precisar ser repetido ou confirmado pela análise da lâmina de sangue, especialmente quando há suspeita de agregação das plaquetas ou incompatibilidade entre o número e o quadro clínico.
O hemograma e a análise do sangue periférico fazem parte da investigação de contagens baixas ou elevadas de plaquetas. Testes da medula e estudos genéticos podem ser considerados conforme a causa suspeitada.
Quando glóbulos vermelhos, leucócitos e plaquetas estão reduzidos simultaneamente, ou quando há alteração persistente em mais de uma linhagem, a investigação tende a ser mais cuidadosa.
Pancitopenia é a redução simultânea das três principais linhagens do sangue:
Ela representa um achado laboratorial, e não um diagnóstico final.
Entre as causas que podem ser consideradas estão:
A investigação pode incluir:
A escolha depende do histórico e das características do caso.
Citopenia é a redução de uma célula do sangue.
Quando uma ou mais citopenias persistem sem explicação, pode ser necessário investigar:
Saiba mais sobre a síndrome mielodisplásica.
Alguns achados precisam de avaliação médica mais rápida. Blastos são células imaturas normalmente relacionadas às etapas iniciais da formação das células do sangue.
A presença de blastos no sangue periférico pode exigir investigação hematológica rápida.
A presença de blastos não deve ser ignorada, mas o diagnóstico não deve ser concluído apenas pela palavra registrada no exame.
A avaliação pode precisar confirmar:
Alguns hemogramas apresentam alertas automáticos, como células imaturas, blastos suspeitos ou necessidade de revisão da lâmina.
O alerta pode levar o laboratório a realizar uma análise microscópica ou recomendar confirmação.
Um alerta automatizado não deve ser tratado como diagnóstico fechado, mas precisa ser avaliado pelo médico responsável.
O mielograma ou a biópsia de medula podem ser considerados quando há:
Exames como hemograma, sangue periférico, mielograma, biópsia de medula, imunofenotipagem, citogenética e estudos moleculares podem fazer parte da investigação de leucemias, conforme o padrão encontrado.
O exame é interpretado dentro de uma sequência clínica. A consulta organiza as informações em cinco etapas que conduzem a investigação de forma sistemática.
A consulta começa pela definição de qual componente do hemograma está alterado:
A sequência dos resultados ajuda a compreender:
Podem ser considerados:
Nem todo hemograma alterado exige mielograma ou investigação extensa.
Os próximos exames devem ser escolhidos conforme o padrão encontrado e as hipóteses clínicas.
Ao final da avaliação, podem ser definidos:
A equipe poderá orientar o que deve ser organizado conforme a alteração.
Conforme a alteração, podem ser úteis:
Nem todos os exames são necessários para todos os pacientes.
A equipe deve orientar previamente quais documentos são relevantes e qual canal deve ser utilizado.
Alguns sintomas não devem aguardar uma consulta agendada.
A pessoa deve procurar o serviço de saúde responsável ou um atendimento de urgência quando houver:
O WhatsApp do consultório é destinado à organização de consultas e não funciona como serviço de emergência.
O Prof. Dr. Eduardo Magalhães Rego é médico especialista em Hematologia e Hemoterapia e Professor Titular de Hematologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Atualmente, preside a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, ABHH, na gestão 2026–2027.
Coordena o Serviço de Leucemias Agudas do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e os Serviços de Hematologia da Rede D'Or. Também atua como pesquisador do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino.
Sua atuação reúne avaliação de doenças hematológicas, revisão diagnóstica, ensino, pesquisa e formação de especialistas.
A ABHH confirma sua presidência na gestão 2026–2027. O ICESP o apresenta como Professor Titular da FMUSP, coordenador do Serviço de Leucemias Agudas, coordenador dos Serviços de Hematologia da Rede D'Or e pesquisador do IDOR.
A consulta em consultório é particular.
Após o atendimento, são fornecidos nota fiscal e os documentos relacionados à consulta para que o paciente possa verificar diretamente com seu plano de saúde as condições previstas para solicitação de reembolso.
A equipe poderá orientar sobre os documentos necessários, a modalidade de atendimento e a disponibilidade de agenda para consulta presencial em São Paulo ou por telemedicina.
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