PICO MONOCLONAL, DIAGNÓSTICO, CLASSIFICAÇÃO E ACOMPANHAMENTO
O mieloma múltiplo é uma doença das células plasmáticas, células do sistema imunológico responsáveis pela produção de anticorpos.
Prof. Dr. Eduardo Magalhães Rego Atendimento presencial e por telemedicina 🇧🇷🌏 · CRM-SP 63577 | RQE 57865
A investigação pode começar depois da identificação de um pico monoclonal, de uma alteração nas cadeias leves, de anemia sem causa esclarecida, alteração da função renal, cálcio elevado, dor óssea ou lesões encontradas em exames de imagem.
Encontrar uma proteína monoclonal não significa automaticamente mieloma. O resultado pode estar relacionado a diferentes condições, como gamopatia monoclonal de significado indeterminado, mieloma assintomático ou mieloma múltiplo ativo.
A distinção depende da integração entre exames de sangue e urina, medula óssea, características das células plasmáticas, exames de imagem e presença ou ausência de alterações atribuíveis à doença.

Uma doença das células plasmáticas que se desenvolve principalmente na medula óssea.
As células plasmáticas se originam de linfócitos B e participam da defesa do organismo por meio da produção de anticorpos.
No mieloma múltiplo, uma população alterada de células plasmáticas passa a se multiplicar de forma clonal, principalmente na medula óssea.
Essas células podem:
O comportamento da doença varia. A quantidade de células plasmáticas, as características genéticas, os exames laboratoriais, o comprometimento dos órgãos e a resposta ao tratamento influenciam a avaliação.
O NCI classifica o mieloma entre as neoplasias de células plasmáticas e descreve possíveis repercussões ósseas, renais, hematológicas e imunológicas.

Um resultado monoclonal precisa ser interpretado antes de receber um diagnóstico.
Ela é produzida por uma população específica de células plasmáticas ou, em determinadas condições, por outras células do sistema imunológico.
Não. Um pico monoclonal pode estar relacionado a:
A eletroforese separa diferentes proteínas presentes no sangue e pode identificar uma faixa ou um pico que precisa ser caracterizado.
Ela pode ser solicitada no sangue e, em situações selecionadas, na urina.
A imunofixação ajuda a identificar o tipo da proteína monoclonal.
Ela pode mostrar qual imunoglobulina e qual cadeia leve estão envolvidas.
O exame mede cadeias leves kappa e lambda livres no sangue e calcula a relação entre elas.
A alteração precisa ser interpretada considerando o valor absoluto, a relação, a função renal e os demais resultados.
Uma relação alterada, isoladamente, não confirma mieloma múltiplo.
Condições diferentes podem fazer parte da mesma investigação.

A gamopatia monoclonal de significado indeterminado é conhecida pelas siglas GMSI ou MGUS.
Nessa condição, existe uma proteína monoclonal ou uma população clonal de células plasmáticas, mas os critérios para mieloma ativo não estão presentes.
A GMSI não é classificada como mieloma múltiplo. Entretanto, precisa ser avaliada e acompanhada porque uma parcela dos casos pode progredir ao longo do tempo.
O acompanhamento pode considerar:

O mieloma múltiplo assintomático também pode ser chamado de mieloma smoldering.
Existe uma quantidade maior de proteína monoclonal ou de células plasmáticas clonais do que na GMSI, mas sem critérios que definam mieloma ativo naquele momento.
O risco de progressão não é igual para todos. A avaliação considera quantidade de células plasmáticas, proteína monoclonal, cadeias leves, citogenética, exames de imagem e evolução dos resultados.
A conduta pode variar conforme o risco e a avaliação individual. Nem todo paciente recebe tratamento imediato.

O mieloma ativo é definido quando a proliferação de células plasmáticas está associada a eventos que definem a doença, como repercussões em órgãos ou biomarcadores reconhecidos nos critérios diagnósticos.
A distinção entre GMSI, mieloma assintomático e mieloma ativo utiliza critérios do International Myeloma Working Group e não deve ser baseada apenas na presença de uma proteína monoclonal.
O mieloma pode ser descoberto por sintomas ou por alterações laboratoriais.
Esses sinais também podem ocorrer em diversas outras doenças. Nenhum deles confirma mieloma isoladamente.

Pode ocorrer no mieloma, especialmente quando existem lesões ósseas ou fraturas vertebrais.
Entretanto, a maioria dos casos de dor nas costas não é causada por mieloma múltiplo.
A necessidade de investigação depende do conjunto:
Pessoas com diagnóstico ou suspeita de mieloma que apresentem perda repentina de força, dificuldade para caminhar, alteração do controle urinário ou intestinal, dor intensa com piora rápida, falta de ar, alteração de consciência, redução importante do volume urinário ou febre acompanhada de piora do estado geral devem procurar o serviço hospitalar responsável ou atendimento de urgência.
O WhatsApp do consultório não funciona como canal de emergência.

Diferentes exames avaliam a proteína, as células plasmáticas e as possíveis repercussões da doença.
Pode identificar anemia, redução de plaquetas ou outras alterações, mas também pode estar normal em determinadas etapas.
Exames como creatinina, estimativa da função renal e cálcio ajudam a verificar possíveis repercussões associadas à doença.
Essas alterações também possuem outras causas e precisam ser relacionadas ao distúrbio de células plasmáticas antes de serem atribuídas ao mieloma.
A eletroforese pode detectar e quantificar a proteína monoclonal.
A imunofixação contribui para caracterizar o tipo da imunoglobulina e da cadeia leve.
O exame avalia as cadeias kappa e lambda e a relação entre elas.
Ele pode ser especialmente importante quando a produção monoclonal envolve predominantemente cadeias leves.
Conforme o caso, podem ajudar a identificar e quantificar proteínas monoclonais eliminadas pelos rins.
Ajuda a distinguir células plasmáticas clonais das células plasmáticas normais por meio dos marcadores presentes em sua superfície ou interior.
Investigam alterações nos cromossomos das células plasmáticas.
Esses resultados podem contribuir para a avaliação do risco e do comportamento da doença.
Podem ser utilizados para procurar lesões ósseas, fraturas, áreas focais na medula ou plasmocitomas.
O tipo de imagem depende da situação clínica e da disponibilidade, podendo incluir tomografia de corpo inteiro em baixa dose, ressonância magnética ou PET-CT, conforme a finalidade.
A investigação atual integra proteína monoclonal, cadeias leves, avaliação da medula, exames laboratoriais e imagem.
O diagnóstico não depende apenas da quantidade da proteína monoclonal.
Os critérios diagnósticos atuais avaliam a presença de células plasmáticas clonais ou plasmocitoma e pelo menos um evento definidor de mieloma.
Os eventos podem incluir repercussões tradicionalmente resumidas pela sigla CRAB:

A hipercalcemia pode ocorrer por comprometimento ósseo, mas precisa ser relacionada à doença e diferenciada de outras causas.

A disfunção dos rins pode estar associada às proteínas produzidas pelas células plasmáticas, ao cálcio elevado ou a outros mecanismos.
Uma alteração renal isolada não deve ser automaticamente atribuída ao mieloma.

A anemia pode ocorrer pelo comprometimento da medula, pela função renal, por inflamação ou por outros fatores.
A causa precisa ser analisada.

O mieloma pode provocar lesões líticas, fraturas ou comprometimento ósseo identificado em exames de imagem.
Esses critérios permitem identificar mieloma ativo antes que determinados danos aos órgãos se tornem evidentes.
A presença de anemia, alteração renal ou dor óssea não deve ser atribuída ao mieloma sem verificar se existe relação com a doença das células plasmáticas.

O risco ajuda a compreender o comportamento biológico da doença.
A avaliação do risco pode considerar:
Sistemas como ISS, R-ISS e R2-ISS podem aparecer em relatórios e publicações.
Em 2025, um consenso da International Myeloma Society e do International Myeloma Working Group atualizou a definição de mieloma de alto risco, dando maior peso a combinações específicas de alterações genômicas e laboratoriais.
Não exatamente.
O estágio organiza dados clínicos e laboratoriais. A avaliação de risco pode incorporar informações genéticas e moleculares adicionais.
Os dois elementos ajudam a compreender grupos de comportamento diferente, mas não determinam com certeza o que acontecerá com uma pessoa.
Não.
A classificação deve ser integrada à idade, à condição clínica, às demais doenças, aos objetivos do tratamento e à resposta observada.

A estratégia depende do momento da doença e das condições do paciente.
O tratamento pode considerar:
A condução pode envolver combinações de medicamentos, controle das complicações, proteção óssea, prevenção de infecções, manejo da dor e acompanhamento laboratorial e por imagem.
Esta página não apresenta protocolos, nomes de medicamentos ou doses porque a indicação depende da situação individual e pode mudar conforme a etapa da doença.
Na maioria dos casos de GMSI, a conduta envolve acompanhamento e reavaliação do risco, e não tratamento imediato.
Entretanto, algumas proteínas monoclonais podem estar associadas a comprometimento de órgãos mesmo sem critérios de mieloma ativo. Por isso, o diagnóstico e o acompanhamento não devem ser definidos somente pela quantidade do pico.
A decisão depende da classificação de risco, dos critérios atuais e da avaliação individual.
Alguns pacientes permanecem em acompanhamento. Situações selecionadas podem exigir discussão mais específica conforme o risco e as evidências disponíveis.
O mieloma múltiplo é uma doença tratável. Muitos pacientes podem alcançar respostas profundas e permanecer por períodos prolongados com a doença controlada.
Não é correto prometer cura ou prever a duração da resposta sem considerar as características individuais, o risco, os tratamentos utilizados e a evolução do caso.
A avaliação considera a proteína, a medula, os órgãos e a evolução clínica.
O acompanhamento pode incluir:

A resposta é classificada por critérios que avaliam a redução ou o desaparecimento da proteína monoclonal, a medula e outros elementos do caso.
Existem diferentes categorias de resposta. Um resultado precisa ser interpretado conforme os critérios utilizados e os exames disponíveis.
A doença residual mensurável, DRM, procura identificar células relacionadas ao mieloma em níveis muito baixos depois do tratamento.
Ela pode ser avaliada por métodos de alta sensibilidade na medula e, conforme o contexto, integrada a exames de imagem.
Um resultado negativo de DRM representa uma resposta profunda, mas não deve ser interpretado isoladamente como garantia de cura definitiva.
Um resultado positivo também precisa ser avaliado considerando:

Quando a doença retorna ou não responde como esperado.
Mieloma recidivado é aquele que volta a apresentar sinais de atividade após um período de resposta.
Mieloma refratário descreve situações em que a doença não apresentou a resposta esperada ou progrediu durante determinada estratégia.
A avaliação pode considerar:
Uma segunda opinião pode ajudar a reconstruir essa sequência, revisar a classificação e organizar as perguntas que precisam orientar a próxima decisão.
A consulta não pressupõe que a estratégia anterior estava incorreta e não garante uma mudança de tratamento.
Quando uma nova avaliação pode ajudar a esclarecer o caso.
Uma segunda opinião ou revisão diagnóstica pode ser considerada quando existem dúvidas sobre:
Ela pode complementar o acompanhamento com a equipe assistente.


Organização do diagnóstico, dos exames e do momento atual.
A consulta pode ser procurada por pessoas que:
Conforme a situação, a equipe poderá orientar o envio de:
Nem todos os documentos são necessários para todos os casos. A equipe deve orientar previamente o que precisa ser organizado e qual canal deve ser utilizado.
A consulta presencial é realizada no Complexo OncoStar, no Itaim Bibi, em São Paulo.
A telemedicina pode ser utilizada quando os documentos disponíveis e o objetivo da consulta tornam esse formato adequado.
Ela não substitui exames físicos, procedimentos, tratamento hospitalar ou atendimento de urgência quando essas etapas são necessárias.

O Prof. Dr. Eduardo Magalhães Rego é médico especialista em Hematologia e Hemoterapia e Professor Titular de Hematologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Atualmente, preside a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, ABHH, na gestão 2026–2027.
Coordena o Serviço de Leucemias Agudas do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e os Serviços de Hematologia da Rede D’Or. Também atua como pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino.
Sua atuação reúne avaliação de doenças hematológicas benignas e malignas, revisão diagnóstica, ensino, pesquisa e formação de especialistas.

A consulta em consultório é particular.
Após o atendimento, são fornecidos nota fiscal e os documentos relacionados à consulta para que o paciente possa verificar diretamente com seu plano de saúde as condições previstas para solicitação de reembolso.
Atendimento presencial
Complexo OncoStar
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A equipe poderá orientar sobre os documentos necessários, a modalidade de atendimento e a disponibilidade de agenda para consulta presencial em São Paulo ou por telemedicina.