PICO MONOCLONAL, DIAGNÓSTICO, CLASSIFICAÇÃO E ACOMPANHAMENTO

Mieloma múltiplo e gamopatias monoclonais

O mieloma múltiplo é uma doença das células plasmáticas, células do sistema imunológico responsáveis pela produção de anticorpos.

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Prof. Dr. Eduardo Rego
Prof. Dr. Eduardo RegoPresidente da ABHH | Hematologia e Hemoterapia
Prof. Dr. Eduardo Magalhães Rego

A investigação pode começar depois da identificação de um pico monoclonal, de uma alteração nas cadeias leves, de anemia sem causa esclarecida, alteração da função renal, cálcio elevado, dor óssea ou lesões encontradas em exames de imagem.

  • Médico especialista em Hematologia e Hemoterapia
  • Presidente da ABHH
  • Professor Titular de Hematologia da Faculdade de Medicina da USP
  • Coordenador dos Serviços de Hematologia da Rede D’Or
Encontrar uma proteína monoclonal não significa automaticamente mieloma. O resultado pode estar relacionado a diferentes condições, como gamopatia monoclonal de significado indeterminado, mieloma assintomático ou mieloma múltiplo ativo.

A distinção depende da integração entre exames de sangue e urina, medula óssea, características das células plasmáticas, exames de imagem e presença ou ausência de alterações atribuíveis à doença.

Medula óssea
Definição

O que é mieloma múltiplo

Uma doença das células plasmáticas que se desenvolve principalmente na medula óssea.

As células plasmáticas se originam de linfócitos B e participam da defesa do organismo por meio da produção de anticorpos.

No mieloma múltiplo, uma população alterada de células plasmáticas passa a se multiplicar de forma clonal, principalmente na medula óssea.

Essas células podem:

  • produzir uma proteína monoclonal
  • ocupar espaço na medula
  • prejudicar a produção normal das células do sangue
  • afetar os ossos
  • interferir na função dos rins
  • aumentar o cálcio no sangue
  • reduzir a produção de anticorpos normais
  • aumentar a suscetibilidade a infecções

O comportamento da doença varia. A quantidade de células plasmáticas, as características genéticas, os exames laboratoriais, o comprometimento dos órgãos e a resposta ao tratamento influenciam a avaliação.

O NCI classifica o mieloma entre as neoplasias de células plasmáticas e descreve possíveis repercussões ósseas, renais, hematológicas e imunológicas.

Diferenças diagnósticas

Gamopatia monoclonal, mieloma assintomático e mieloma ativo

Condições diferentes podem fazer parte da mesma investigação.

01 · Gamopatia monoclonal de significado indeterminado

A gamopatia monoclonal de significado indeterminado é conhecida pelas siglas GMSI ou MGUS.

Nessa condição, existe uma proteína monoclonal ou uma população clonal de células plasmáticas, mas os critérios para mieloma ativo não estão presentes.

A GMSI não é classificada como mieloma múltiplo. Entretanto, precisa ser avaliada e acompanhada porque uma parcela dos casos pode progredir ao longo do tempo.

O acompanhamento pode considerar:

  • tipo e quantidade da proteína
  • relação das cadeias leves
  • hemograma
  • função renal
  • cálcio
  • sintomas
  • alterações observadas em exames anteriores
  • fatores de risco de progressão
02 · Mieloma múltiplo assintomático

O mieloma múltiplo assintomático também pode ser chamado de mieloma smoldering.

Existe uma quantidade maior de proteína monoclonal ou de células plasmáticas clonais do que na GMSI, mas sem critérios que definam mieloma ativo naquele momento.

O risco de progressão não é igual para todos. A avaliação considera quantidade de células plasmáticas, proteína monoclonal, cadeias leves, citogenética, exames de imagem e evolução dos resultados.

A conduta pode variar conforme o risco e a avaliação individual. Nem todo paciente recebe tratamento imediato.

03 · Mieloma múltiplo ativo

O mieloma ativo é definido quando a proliferação de células plasmáticas está associada a eventos que definem a doença, como repercussões em órgãos ou biomarcadores reconhecidos nos critérios diagnósticos.

A distinção entre GMSI, mieloma assintomático e mieloma ativo utiliza critérios do International Myeloma Working Group e não deve ser baseada apenas na presença de uma proteína monoclonal.

Manifestações possíveis

Sinais, sintomas e alterações nos exames

O mieloma pode ser descoberto por sintomas ou por alterações laboratoriais.

  • dor óssea, especialmente em coluna, costelas ou quadril
  • fraturas com trauma pequeno ou sem causa proporcional
  • anemia
  • cansaço
  • fraqueza
  • alteração da função renal
  • cálcio elevado
  • sede excessiva
  • náuseas ou constipação associadas a hipercalcemia
  • infecções recorrentes
  • perda de peso sem intenção
  • formigamento ou fraqueza em situações específicas
  • aumento das proteínas totais
  • alteração na relação entre albumina e globulinas
  • pico monoclonal
  • cadeias leves alteradas
Esses sinais também podem ocorrer em diversas outras doenças. Nenhum deles confirma mieloma isoladamente.
Células do sangue

Dor nas costas pode ser mieloma?

Pode ocorrer no mieloma, especialmente quando existem lesões ósseas ou fraturas vertebrais.

Entretanto, a maioria dos casos de dor nas costas não é causada por mieloma múltiplo.

A necessidade de investigação depende do conjunto:

  • persistência e características da dor
  • idade e histórico
  • presença de anemia
  • alteração renal
  • cálcio elevado
  • perda de peso
  • fraturas
  • pico monoclonal
  • resultados de imagem
  • outros sintomas ou exames associados

Quando procurar atendimento imediato

Pessoas com diagnóstico ou suspeita de mieloma que apresentem perda repentina de força, dificuldade para caminhar, alteração do controle urinário ou intestinal, dor intensa com piora rápida, falta de ar, alteração de consciência, redução importante do volume urinário ou febre acompanhada de piora do estado geral devem procurar o serviço hospitalar responsável ou atendimento de urgência.

O WhatsApp do consultório não funciona como canal de emergência.

Critérios diagnósticos

Critérios diagnósticos e SLiM-CRAB

O diagnóstico não depende apenas da quantidade da proteína monoclonal.

Os critérios diagnósticos atuais avaliam a presença de células plasmáticas clonais ou plasmocitoma e pelo menos um evento definidor de mieloma.

Os eventos podem incluir repercussões tradicionalmente resumidas pela sigla CRAB:

C · Cálcio elevado

A hipercalcemia pode ocorrer por comprometimento ósseo, mas precisa ser relacionada à doença e diferenciada de outras causas.

R · Alteração renal

A disfunção dos rins pode estar associada às proteínas produzidas pelas células plasmáticas, ao cálcio elevado ou a outros mecanismos.

Uma alteração renal isolada não deve ser automaticamente atribuída ao mieloma.

A · Anemia

A anemia pode ocorrer pelo comprometimento da medula, pela função renal, por inflamação ou por outros fatores.

A causa precisa ser analisada.

B · Lesões ósseas

O mieloma pode provocar lesões líticas, fraturas ou comprometimento ósseo identificado em exames de imagem.

Além do CRAB, os critérios incluem biomarcadores conhecidos pela sigla SLiM:

  • quantidade elevada de células plasmáticas clonais na medula
  • relação muito alterada entre cadeias leves envolvida e não envolvida, dentro dos critérios definidos
  • mais de uma lesão focal identificada por ressonância magnética

Esses critérios permitem identificar mieloma ativo antes que determinados danos aos órgãos se tornem evidentes.

A presença de anemia, alteração renal ou dor óssea não deve ser atribuída ao mieloma sem verificar se existe relação com a doença das células plasmáticas.
Células do sangue
Tratamento

Como o tratamento é definido

A estratégia depende do momento da doença e das condições do paciente.

O tratamento pode considerar:

  • mieloma ativo ou condição precursora
  • sintomas e repercussões da doença
  • características genéticas e moleculares
  • classificação de risco
  • idade
  • capacidade funcional
  • função renal
  • outras condições de saúde
  • infecções e complicações
  • tratamentos anteriores
  • resposta obtida
  • preferências e condições individuais

A condução pode envolver combinações de medicamentos, controle das complicações, proteção óssea, prevenção de infecções, manejo da dor e acompanhamento laboratorial e por imagem.

Esta página não apresenta protocolos, nomes de medicamentos ou doses porque a indicação depende da situação individual e pode mudar conforme a etapa da doença.

GMSI

Gamopatia monoclonal precisa de tratamento?

Na maioria dos casos de GMSI, a conduta envolve acompanhamento e reavaliação do risco, e não tratamento imediato.

Entretanto, algumas proteínas monoclonais podem estar associadas a comprometimento de órgãos mesmo sem critérios de mieloma ativo. Por isso, o diagnóstico e o acompanhamento não devem ser definidos somente pela quantidade do pico.

Smoldering

Mieloma assintomático precisa de tratamento?

A decisão depende da classificação de risco, dos critérios atuais e da avaliação individual.

Alguns pacientes permanecem em acompanhamento. Situações selecionadas podem exigir discussão mais específica conforme o risco e as evidências disponíveis.

Perspectiva

Mieloma tem cura?

O mieloma múltiplo é uma doença tratável. Muitos pacientes podem alcançar respostas profundas e permanecer por períodos prolongados com a doença controlada.

Não é correto prometer cura ou prever a duração da resposta sem considerar as características individuais, o risco, os tratamentos utilizados e a evolução do caso.

Acompanhamento

Como a resposta é acompanhada

A avaliação considera a proteína, a medula, os órgãos e a evolução clínica.

O acompanhamento pode incluir:

  • eletroforese
  • imunofixação
  • cadeias leves livres
  • hemograma
  • função renal
  • cálcio
  • exames de imagem
  • avaliação da medula
  • sintomas
  • complicações
  • necessidade de suporte
  • doença residual mensurável
Tubos de coleta de sangue
Resposta

O que significa resposta completa?

A resposta é classificada por critérios que avaliam a redução ou o desaparecimento da proteína monoclonal, a medula e outros elementos do caso.

Existem diferentes categorias de resposta. Um resultado precisa ser interpretado conforme os critérios utilizados e os exames disponíveis.

DRM

O que é doença residual mensurável?

A doença residual mensurável, DRM, procura identificar células relacionadas ao mieloma em níveis muito baixos depois do tratamento.

Ela pode ser avaliada por métodos de alta sensibilidade na medula e, conforme o contexto, integrada a exames de imagem.

Um resultado negativo de DRM representa uma resposta profunda, mas não deve ser interpretado isoladamente como garantia de cura definitiva.

Um resultado positivo também precisa ser avaliado considerando:

  • método utilizado
  • sensibilidade do teste
  • qualidade da amostra
  • momento da avaliação
  • tratamentos realizados
  • resultados anteriores
  • características da doença
Segunda opinião

Segunda opinião em mieloma e gamopatias

Quando uma nova avaliação pode ajudar a esclarecer o caso.

Uma segunda opinião ou revisão diagnóstica pode ser considerada quando existem dúvidas sobre:

  • significado de um pico monoclonal
  • diferença entre GMSI, mieloma assintomático e mieloma ativo
  • interpretação das cadeias leves
  • necessidade de avaliação da medula
  • critérios diagnósticos
  • exames de imagem
  • alterações citogenéticas
  • classificação de risco
  • momento de iniciar tratamento
  • resposta
  • doença residual mensurável
  • recaída
  • refratariedade
  • divergência entre laudos ou opiniões

A nova avaliação pode confirmar pontos já definidos, esclarecer informações incompletas ou identificar quais exames ainda precisam ser contextualizados.

Ela pode complementar o acompanhamento com a equipe assistente.

Prof. Dr. Eduardo Rego
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Como funciona

Como funciona a consulta

Organização do diagnóstico, dos exames e do momento atual.

A consulta pode ser procurada por pessoas que:

  • encontraram um pico monoclonal
  • receberam diagnóstico de GMSI ou MGUS
  • estão investigando mieloma assintomático
  • receberam recentemente um diagnóstico de mieloma
  • precisam compreender os critérios diagnósticos
  • possuem dúvidas sobre risco ou citogenética
  • precisam revisar a resposta
  • apresentam recaída ou refratariedade
  • procuram segunda opinião
Documentos

Organização prévia dos documentos

Conforme a situação, a equipe poderá orientar o envio de:

  • relatório médico atualizado
  • hemogramas
  • creatinina e demais exames de função renal
  • cálcio
  • proteínas totais e albumina
  • eletroforese
  • imunofixação
  • cadeias leves livres
  • exames de urina
  • mielograma
  • biópsia de medula óssea
  • imunofenotipagem
  • citogenética e FISH
  • exames moleculares
  • tomografias
  • ressonâncias
  • PET-CT
  • registros de tratamentos e exames de resposta

Nem todos os documentos são necessários para todos os casos. A equipe deve orientar previamente o que precisa ser organizado e qual canal deve ser utilizado.

Modalidade

Atendimento presencial

A consulta presencial é realizada no Complexo OncoStar, no Itaim Bibi, em São Paulo.

Atendimento por telemedicina

A telemedicina pode ser utilizada quando os documentos disponíveis e o objetivo da consulta tornam esse formato adequado.

Ela não substitui exames físicos, procedimentos, tratamento hospitalar ou atendimento de urgência quando essas etapas são necessárias.

Prof. Dr. Eduardo Rego
Experiência

Experiência clínica, acadêmica e institucional

O Prof. Dr. Eduardo Magalhães Rego é médico especialista em Hematologia e Hemoterapia e Professor Titular de Hematologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Atualmente, preside a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, ABHH, na gestão 2026–2027.

Coordena o Serviço de Leucemias Agudas do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e os Serviços de Hematologia da Rede D’Or. Também atua como pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino.

Sua atuação reúne avaliação de doenças hematológicas benignas e malignas, revisão diagnóstica, ensino, pesquisa e formação de especialistas.

Presidente da ABHHProfessor Titular FMUSPICESPRede D’OrIDOR
Informações sobre o atendimento

Consulta, localização e telemedicina

Prof. Dr. Eduardo Rego no consultório

Sobre a consulta

A consulta em consultório é particular.

Após o atendimento, são fornecidos nota fiscal e os documentos relacionados à consulta para que o paciente possa verificar diretamente com seu plano de saúde as condições previstas para solicitação de reembolso.

Atendimento presencial
Complexo OncoStar
Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 180
Itaim Bibi, São Paulo, SP
CEP 04543-000

Contato do consultório

  • 📱WhatsApp(11) 99776-0735 · Atendimento com Gabriely
  • 📍EndereçoAvenida Presidente Juscelino Kubitschek, 180, Itaim Bibi, São Paulo
  • 💻Atendimento por telemedicinaDisponível para pacientes de outras cidades, estados e países quando essa modalidade for adequada ao objetivo da avaliação.
WhatsApp | Agendar avaliação (11) 99776-0735 | Ligar para a equipe

COMPLEXO ONCOSTAR

Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 180 · Itaim Bibi

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Perguntas frequentes

Dúvidas sobre mieloma múltiplo e gamopatias

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Encontrou um pico monoclonal, recebeu um diagnóstico de gamopatia ou precisa compreender melhor um caso de mieloma?

A equipe poderá orientar sobre os documentos necessários, a modalidade de atendimento e a disponibilidade de agenda para consulta presencial em São Paulo ou por telemedicina.

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